PF indicia ex-deputada Aline Corrêa, filha do delator Pedro Corrêa, na Lava Jato

Por Redação 03/11/2017 - 18:51 hs
Foto: Arquivo Veja Paraná

A defesa da ex-deputada Aline Corrêa afirma que não vai se manifestar sobre o indiciamento da cliente por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em nota, o advogado Alexandre Loper, destaca que Corrêa está à disposição da Justiça e que irá esclarecer todas as questões envolvendo as doações eleitorais recebidas durante a sua campanha em 2010.

A Polícia Federal no Paraná indiciou a ex-deputada do Partido Progressista de São Paulo, que também é filha do ex-parlamentar Pedro Corrêa, delator na Operação Lava Jato. Segundo a PF, Aline recebia uma “mesada” de trinta mil reais, dinheiro oriundo do caixa de propina do PP, que era alimentado pelo esquema de corrupção na Petrobras.

O inquérito foi instaurado a partir da colaboração premiada do já condenado na lava jato e ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. O relatório de indiciamento cita ainda informações repassadas em delação pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-executivo da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa. De acordo com o documento, Aline Corrêa aderiu à conduta criminosa do pai, de Youssef e de Costa.

Na delação, o ex-executivo da Petrobras, afirmou que lembrava de Aline porque ela participava de algumas das reuniões com o principal grupo de dirigentes do PP, pelo simples fato de ser filha de Pedro Corrêa. Youssef também declarou que a ex-deputada recebia um repasse mensal dos líderes do partido que atingia o montante de R$ 30 mil. O dinheiro, segundo o doleiro, seria recurso do caixa de propina do PP na Petrobras.

Youssef relatou ainda que a ex-deputada se dirigia aos escritórios dele regularmente e reclamava que o pai e demais dirigentes do PP não estavam fazendo os devidos repasses e chegou a pedir que o dinheiro fosse entregue diretamente a ela. Aline Corrêa chegou a ser ré na mesma ação penal que condenou o pai dela, na Justiça Federal do Paraná. No entanto, a parte que citava Aline foi desmembrada do processo original e encaminhada à Justiça do Distrito Federal.

Agora, cabe ao Ministério Público Federal definir se apresenta nova denúncia, que deverá ser encaminhada ao juiz Sérgio Moro. Aline Corrêa é delatora da lava jato e em depoimento já admitiu que intermediava os repasses de propina ao pai, mas que nunca utilizou o dinheiro que recebia.